
Crianças com óculos 3D na sala do complexo: ocupação acima da médiaMÔNICA IMBUZEIRO/09.1.2011 / O GLOBO
RIO — Alessandra Ribeiro, de 19 anos, só tinha ido ao cinema uma vez, quando criança. No mês passado, foi convencida pelos amigos a assistir ao filme “Velozes e furiosos” no CineCarioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão. Gostou tanto que menos de uma semana depois já estava de novo na mesma sala assistindo ao “Somos tão jovens”. Moradora da comunidade, a estudante terá mais uma opção de cinema perto de casa com a inauguração, em dezembro, do CineCarioca da Vila Cruzeiro.
— Não imaginava que era tão legal ir ao cinema. Sempre assistia a filmes pela TV porque não tinha dinheiro. Achava que era mais ou menos a mesma coisa e não valia o investimento. Agora vou fazer um esforço para ir sempre que der — conta Alessandra.
Além da estudante, vários moradores do Complexo do Alemão deixavam de ir ao cinema porque não tinham como pagar. No CineCarioca, inaugurado em 2010, os ingressos são subsidiados pela RioFilme: a meia-entrada custa R$ 4,50, e a inteira R$ 9 — valor bem mais barato que o cobrado em shoppings. Moradores, não só estudantes, professores, idosos e portadores de necessidades especiais, pagam meia em todas as sessões.
— Imagina uma família de quatro pessoas ter que arcar com o dinheiro dos ingressos e mais as passagens? Inviabiliza o programa. Ali, o cinema está praticamente na porta da nossa casa e custa bem mais barato — diz Wellington Cardoso, de 31 anos, morador de Nova Brasília e gerente do CineCarioca.
Sala terá projeção 3D
O novo cinema do Alemão será bem maior que o de Nova Brasília, que tem apenas 90 lugares. Terá duas salas equipadas com tecnologia digital — uma delas com projeção 3D —, que somam 222 lugares. Ele ficará na Praça São Lucas, onde há também um núcleo do AfroReggae, próximo ao Largo da Penha. As obras começam mês que vem e o investimento previsto é de R$ 4 milhões.
— Apesar dos dois cinemas serem no Complexo do Alemão, a distância entre eles acaba, na prática, sendo maior por questões topográficas. Os acessos são completamente distintos — afirma o secretário municipal de Cultura, Sérgio Sá Leitão.
Assim como nas outras duas unidades do CineCarioca — uma delas fica no Centro Cultural João Nogueira, no Méier —, a empresa exibidora que for operar o cinema será escolhida por meio de licitação, marcada para agosto. A inauguração é prevista para dezembro.
A ideia de construir outras salas no Alemão tem a ver com o sucesso do cinema que já funciona em Nova Brasília. Desde a inauguração, em 2010, mais de 140 filmes foram exibidos para um público de aproximadamente 181 mil pessoas. “Vingadores”, em 3D, foi o mais visto, com a venda de 6.785 ingressos, seguido por “Rio”, com 5.783. A taxa de ocupação chegou a 53%, maior que a média dos cinemas da cidade, que é de 35%.
— No Alemão, havia uma demanda reprimida. Os moradores agora podem ver os mesmos filmes exibidos nos shoppings — destaca Sérgio Sá Leitão.
Ele conta que na época em que o cinema foi construído havia três barracas na entrada de Nova Brasília vendendo DVDs piratas a R$ 4. Depois que o cinema abriu, eles teriam passado a vender outros produtos:
— Fixamos o ingresso em mais ou menos R$ 4 (meia) justamente para concorrer com a pirataria. Deu certo.
A expansão da rede CineCarioca, que só funciona em comunidades incluídas no programa Morar Carioca, da Secretaria municipal de Habitação, inclui a implantação de unidades na Pedreira, em Acari; Campinho, em Madureira; Joaquim de Queiroz, também no Complexo do Alemão, e Colônia Juliano Moreira, que tem seu projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário